Temos água, o que falta agora é o peixamento nos açudes e tanques.

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Tanque próximo ao povoado de Goiabeira

Depois de muito tempo sem armazenar as águas das chuvas os tanques e açudes secaram na região sisaleira, e é claro,  os peixes foram todos extintos. Será necessário logo após as chuvas o Peixamento nos tanques e açudes para o surgimento de peixes e novas especies. Um lavrador desinformado,  ficou animado e logo após as chuvas, o seu açude encheu depois de muitos anos seco, e foi logo pescar, Imaginando que os peixes nasciam com as chuvas, ele ficou horas e horas esperando, até que um vizinho estranhou e alertou para o cidadão que o açude precisa de peixamento. A não ser os “cascudos” que se enterram na lama e passam anos até ressuscitaram depois de alguma chuva.

Mas, em nossa região o tipo de peixe que predomina é a Tilápia ou Piaba, e nos açudes, a Trairá ou Crumatá. A Tilápia ou Piaba não necessitam de longos anos para se tornarem adultas, pois, em nossa região, devido ao clima quente e seco os açudes evaporam rapidamente.

Na terminologia aquícola se entende por peixamento a operação que tem por fim o povoamento, o repovoamento e a estocagem de coleções d’água, com larvas, pós-larvas, alevinos, juvenis e adultos de peixes, crustáceos, moluscos, mamíferos, etc. É um neologismo que, embora não registrado nos dicionários, tem largo emprego na linguagem técnica referente à piscicuitura. Esta palavra foi empregada pela primeira vez durante os trabalhos de erradicação da malária no Nordeste brasileiro, por funcionários da “Fundação Rockfeller”, quando colocavam em cacimbas, poços, tanques e potes, usados para armazenar água, pequenos peixes insetívoros. Deriva do verbo “peixar”, que exprime a ação de colocação dos peixes no meio aquático.

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Fazendas de produção de Alevinos

O peixamento em si, consta de uma série de atividades que vai desde a coleta do organismo até sua introdução na água. Para cada etapa são necessários cuidados especiais, dos quais depende o sucesso da operação, não podendo, por isso, ser executado por pessoas destituídas de conhecimentos básicos de piscicultura e de limnologia.

No tocante a piscicultura, se entende por alevino o filhote de peixe, na fase de vida imediatamente posterior à pós-larval e anterior à juvenil, que na maioria das espécies tropicais de água doce, corresponde à idade entre 10 a 100 dias de vida livre. Para o cultivo extensivo e intensivo o DNOCS considera o alevino apto para peixamento com a idade de 45 dias de vida livre, contados após a eclosão, visto já se encontrar em condições de se defender dos seus inimigos naturais. A produção atual de alevinos pelo DNOCS é de 6 milhões de exemplares/ano, mas háem estudo um projeto de elevação do potencial em cerca de 5 vezes, mediante construção de novas unidades produtoras e da ampliação das atuais em operação. Dentre as espécies de valor comercial que o DNOCS vem produzindo, quatro são nativas da região, oito são aclimadas e oriundas de outras bacias hidrográficas do país, não pertencentes ao semiárido nordestino e quatro são exóticas transplantadas de outros países e já aclimadas no Nordeste.

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Com vista a atender aos interessados o DNOCS regulamentou o fornecimento de alevinos pelas suas Estações de Piscicultura, mediante adoção de Pedidos de Peixamento (PP) e comprovante de Peixamento (CP).

Como primeiro passo para habilitação ao recebimento de alevinos o interessado deve preencher um formulário chamado “Pedido de Peixamento”, com o qual presta informações sobre o ambiente aquático a ser beneficiado, não só no tocante a sua localização geográfica, como aos aspectos hidrográficos, hidrológicos e bioecológicos. No verso deste formulário há um “Termo de Compromisso”, mediante o qual o interessado assume responsabilidades com vistas ao peixamento e a criação dos peixes. Com base nas informações prestadas no PP o setor competente do DNOCS faz a indicação quantitativa e qualitativa das espécies consideradas convenientes. A entrega dos alevinos ao interessado é feita mediante preenchimento de um formulário chamado “Comprovante de Peixamento”, que é assinado pelo funcionário responsável pela entrega. Também no verso do mesmo são apresentadas as instruções concernentes à proteção que deve ser dispensada aos alevinos, cuidados com a criação, despesca no tempo devido, etc. A quantidade de alevinos para cada peixamento depende do sistema de cultivo. No caso da piscicultura extensiva, a média é de 50 a 250 exemplares/ha e na intensiva, de 5.000 a 20.000/ha.