Comunidades do interior de Casa Nova se queixam da falta de segurança.

Assaltos, furtos, agressões e assassinatos estão se tornando fatos comuns em comunidades do interior de Casa Nova.  Com o arrombamento do Posto Abasteça no Distrito de Pau a Pique e relatos de assalto nas estradas, percorremos estes dois distritos em busca de confirmar se as histórias de aumento de violência no interior é real.

“Aqui só se fala em droga” – Atesta Dona Maroca, proprietária de um restaurante na sede do distrito do Bem Bom, distante quase 140 quilômetros da sede do município – “A gente vê esses meninos aí comprando porcaria em cada esquina e os de fora trazendo mais droga. Não tem polícia de jeito nenhum aqui”.

A constatação de Dona Maroca no Distrito de Bem Bom se repete no distrito de Pau a Pique. Quem faz o depoimento, lamentando é João Veridiano, lavrador, aposentado, morador na sede do distrito, “desocupado por vida”, nas palavras dele e que “vejo tudo, meu filho”: “Sobem e descem a ruía em cima dessas motos barulhentas e quase todo fim de semana matam um, ou dão facada. Tem até crack aqui, meu rapaz! ”.

“E o senhor sabe o que é crack? ” – Perguntamos e a resposta é cheia de mágoa: “Mataram

meu neto por causa disso. A polícia quando veio buscar o corpo dele disse que era por causa do crack que ele tinha sido morto. Não sei como souberam, mas crack prá mim é o cão, rapaz! ”

Os vereadores de Casa Nova, este ano, realizaram duas audiências para tratar de violência, na sede a instalação de câmeras aumentou a vigilância, a construção da Delegacia Integrada e um maior efetivo de policias na sede, deram resultados positivos, mas o interior, está “completa e absolutamente desassistido” – atesta o Presidente da Câmara de Vereadores, Paulo Sérgio (Paulo Sergio de Brito Rocha – PR) – “E Casa Nova depende do interior”.

 

O caso de Santana do Sobrado é emblemático. O Distrito é próximo a Petrolina e Sobradinho e a violência tornou-se lugar comum: assaltos, mortes, repetidos acidentes e falta de policiamento, apesar da proximidade de Juazeiro.

“O governo da Bahia é ausente nos distritos” – lamenta o prefeito Wilker Torres, ele mesmo prejudicado com o assalto ao Posto de Pau Pique, propriedade da família – “Já pedimos um maior efetivo polícia, mais viaturas, nos dispomos a contribuir, mas só promessa”.

Para o prefeito o funcionamento 24 horas dos postos policiais nas sedes dos distritos, duas novas viaturas para cada um, mais efetivo policial presente e comunicação imediata, além de pelo menos mais cinco a dez policiais civis destacados no interior, “iriam melhorar a situação de insegurança do povo nos distritos: “Não é pedir muito” – encerra.